Nossa História

  • Segunda-feira, 12 de Novembro de 2012
    É dura a vida...

    As tiras tiveram seu início de publicação em 8 de novembro de 2006. Desde então elas são programadas para, uma vez ao ano, serem reunidas em livro na coleção É Dura a Vida no Campo. Sempre a última tira de cada livro termina com a frase “é dura a vida no campo”! A tira de número 1247, de 10/11/2012, é a de encerramento do Volume 6, a ser lançado em 2014.

  • Quinta-feira, 20 de Setembro de 2012
    AS partes de uma carreta

    O Chiru Velho já lidou muito com carretas. Esse desenho foi produzido para o projeto cultural do piquete Marca Gaúcha, no Acampamento Farroupilha de Porto Alegre de 2012. O projeto foi elaborado e apresentado pelo historiador Valter Fraga Nunes, com ilustrações de Sávio Moura.

  • Sábado, 06 de Novembro de 2010
    CANCHA RETA

    Na tira 800 vemos o Chiru Velho ganhando uma carreira. Nela aparecem da esquerda para a direita: Blau Nunes (de Simões Lopes Neto), o Negrinho do Pastoreio, Dom Segundo Sombra (de Ricardo Güiraldes), Martin Fierro (José Hernández) e o Capitão Rodrigo Cambará (Érico Veríssimo). Do outro lado estão o médico do Chiru Velho, o Porco, o pai da Juracema, o Chumim e o bolicheiro que já apareceu nas tiras 127 e 288.

    A cancha reta do desenho é bem baguala, a marcação é de chão batido, parecida com a cancha que aparece no filme do Martin Fierro, de 1968, na cena em que ele reencontra os filhos. Também sobre cancha reta o autor Nei Fagundes Machado, no livro “Jayme Caetano Braun – O Grande Payador”, conta na página 51 sobre o bolicho de campanha que o Jayme teve algum tempo: “Nos fundos do bolicho, nos campos de um fazendeiro vizinho havia uma cancha de carreira, somente com dois trilhos, meio num lançante, que não tinha mais do que seiscentos metros. Nesta cancha bem rústica se aglomerava o povo de toda a vizinhança que para lá acorria para se divertir, comer alguma gulodice e até ganhar algum dinheirinho”.

  • Terça-feira, 25 de Agosto de 2009
    A HISTÓRIA DO CHIRU VELHO

    Volta e meia alguma tira nos fornece informações importantes sobre o Chiru Velho. O legal é que se um dia juntarmos todos os dados poderemos traçar a trajetória de vida dele. Na tira 550 ficamos sabendo que é descendente de Languiru. O grande Nicolau Languiru (também chamado Nhenguiru ou Nhanguiru) foi o cacique guarani que ensinou a Sepé Tiaraju as artes da guerra, conforme o poema “Lunar de Sepé”, ouvido por Simões Lopes Neto de uma velhíssima mestiça – Maria Genória Alves – em 1902. Languiru morreu três dias depois de Sepé, em 10/02/1756, na Batalha de Caiboaté, onde pereceram cerca de 1500 índios, pondo fim à Guerra Guaranítica. Ah, as três nações referidas na tira são Brasil, Argentina e Uruguai, lógico.

    E, conforme ensinou Jayme Caetano Braun, a poesia da tira é uma Décima Espinela com redondilha maior, isto é, dez versos rimando entre si de forma alternada (ABBAACCDDC), com a métrica sempre na sétima sílaba tônica. Também o verso da tira 529 foi feito assim. Cientificamente tradicional!

  • Sábado, 31 de Janeiro de 2009
    AQUI ME PONHO A CANTAR...

    No Volume 2 do “É Dura a Vida no Campo” coube ao Chumim a honra de fazer a introdução do livro, e ele começa sua pajada com os versos acima, ao melhor estilo Martín Fierro. O clássico argentino de José Hernández inicia com o verso:
    “Aquí me pongo a cantar
    Al compás de la vigüela,
    Que el hombre que lo desvela
    Una pena estrordinaria,
    Como la ave solitaria,
    Con el cantar se consuela”.
    Hernández emprega o uso da primeira pessoa, encarnando a figura do cantor. Esse início vem de uma antiga tradição espanhola, numerosos romances começam assim, como esses dois exemplos a seguir, recolhidos por Alonso Cortés em 1914:

    “Aquí me pongo a cantar
    Con alegría y sin miedo”.

    “Aquí me pongo a cantar
    En esta piedra a la luna”.

    Por esse motivo o grande Chumim, com toda a sua cultura, optou por iniciar com esse verso a apresentação do livro 2 das histórias do Chiru Velho.

    Bibliografia: HERNÁNDEZ, José: “Martín Fierro”. 3ª ed. Buenos Aires: Editorial Atlântida, 1980 (edição com prólogo e notas de Arturo Berenguer Carisomo y Ana E. Silva).

  • Sábado, 24 de Janeiro de 2009
    A PAZ

    O pessoal do “É Dura a Vida no Campo” ainda é do tempo em que o Natal era principalmente a celebração do nascimento de Cristo, ainda não havia o vezo mercantilista de hoje. Ainda assim o Chiru Velho preocupa-se com uma lembrança para dar à Chirua no dia 25 de dezembro. Dona Palometa faz um pedido singelo: a PAZ. As mulheres gaúchas conviveram durante centenas de anos com escaramuças que seguidamente tiravam os homens de casa, e viviam à espera de tempos mais amenos, onde pudessem contar com toda a família no lar.

    Para ilustrar, lembramos a Guerra Guaranítica (1750-1756), a Guerra dos Farrapos (1835-1845), A Guerra contra Rosas (1851 a 1852), a Guerra do Paraguai (1851-1870) a Revolução Federalista (1891-1893), a Revolução de 1923, a Revolução de 1930. Embora os homens gaúchos gostassem das peleias, para as mulheres eram tempos difíceis, de esperas e angústias. Então nada mais natural que o desejo de PAZ.

    No caso específico de Dona Palometa, missioneira e são-luizense, é provável que ela tenha feito parte do grupo de “piedosas senhoras” que, lideradas pelo monsenhor Estanislau Wolski, padre da época e vigário da paróquia, construíram a Gruta Nossa Senhora de Lourdes em 1926, para cumprir uma graça alcançada: em 1924 São Luiz foi palco da revolução chefiada por Luiz Carlos Prestes, transformando a cidade em seu quartel general por mais de dois meses. A promessa foi de que se não houvesse derramamento de sangue na chegada das tropas legalistas contra a Coluna Invicta, fariam construir uma ermida (assim mesmo!) ou gruta, na parte mais alta da cidade. Isso está no livro "São Luiz, Nossa Terra, Nossa Gente" do Seu Pedrinho Marques dos Santos (p.147). Como as tropas comandadas por Prestes furaram o bloqueio das tropas leais ao governo e se refugiaram na Argentina e, daí, rumaram para a Bolívia, a promessa foi cumprida e a gruta, construída (texto de Sávio com a colaboração de Ivone Ávila, professora e membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Luiz Gonzaga).

  • Quinta-feira, 09 de Outubro de 2008
    TANGO?

    O Chiru Velho é bom em tudo o que faz, sua auto-estima é fantástica. Na tira 360 ele enfileira uma série de danças tradicionalistas nas quais é especialista, entre elas, o tango! Como assim, tango? Calma... explicaremos! Como bons discípulos do Noel Guarany, sabemos que o gaúcho não existe somente no Rio Grande do Sul, habita também a Argentina e o Uruguai, divididos por fronteiras que não separaram os modos e costumes do gaúcho autêntico. Para comprovar, sugerimos quatro obras fundamentais para entendimento da cultura gaúcha: Martín Fierro (de José Hernándes, Argentina), Dom Segundo Sombra (de Ricardo Guiraldes, Argentina), Pátria Uruguai, Coletânea de Contos (de Eduardo Acevedo Diaz, Uruguai) e Contos Gauchescos e Lendas do Sul (de Simões Lopes Neto, Rio Grande do Sul). Se preferirem uma referência visual, pode ser o filme Martín Fierro, de Leopoldo Torres Nilsson (Argentina, 1968), onde verificamos muitas semelhanças entre os costumes dos gaúchos. Mas, voltando ao assunto do Chiru Velho, que sempre viveu em uma região de fronteira com a Argentina, saber dançar tango era uma exigência natural para quem vivia se bandeando para o outro lado, se divertindo nas bailantas às margens do Rio Uruguai...

  • Domingo, 21 de Setembro de 2008
    O BAILE

    Na tira 357 o Virso e a Juracema “arrasam” no baile do CTG. Nosso desafio é o seguinte: nos três primeiros quadrinhos foi colocada a partitura do início de uma música nativista muito conhecida. Que música é essa? Muito difícil? Tá bom então... vamos contar! A música é “Baile da Mariquinha” do conjunto “Os Serranos”. Foi colocada ali como homenagem à nossa prenda Juracema, pois seu nome foi inspirado nessa música, tem uma parte que diz ”As velhas batiam guizo / com as moças lá na cozinha / Vai botá o vestido novo Juracema / presente da tua madrinha / Todo mundo se aprumava / pro Baile da Mariquinha”. Também na tira 144, quando o Virso apresenta a Juracema para o Chiru Velho e a Palometa, ele diz: “Nós se conhecemo no Baile da Mariquinha”!...

  • Domingo, 21 de Setembro de 2008
    TRILHA SONORA

    Nas tiras por diversas vezes são utilizadas músicas ou poemas, sendo que o artista mais citado até agora é Jayme Caetano Braun. Confira o levantamento:

    Poemas diversos de Jayme Caetano Braun – tiras 27, 46, 137, 231, 261, 356, 420, 485, 496, 510 e 514.
    Timbre de Galo – Apparicio Silva Rillo e Pedro Ortaça (tira 8)
    Fim de Ano – Irmãos Vitale (tira 15)
    Origens – Os Fagundes (tira 17)
    Tordilho Negro – Teixeirinha (tira 29)
    Seiva de Vida e Paz – Silvio Genro (tira 42)
    Negrinho do Pastoreio – Zeca Blau (tira 63)
    Diálogo (Negrinho do Pastoreio) – J. P. Barcellos Penna (tira 63)
    Ilegal, Imoral ou Engorda – Roberto Carlos/Erasmo Carlos (tira 75)
    Nosso Amor Terminou – Vanderlei Rodrigo (tira 83)
    Como é Que tô Nesse Corpo – Mano Lima (tira 120)
    Esquilador – Telmo de Lima Freitas (tira 133)
    Cancioneiro de Trovas – Hugo Ramírez (tira 139)
    Pezinho – Barbosa Lessa/Paixão Côrtes (tira 140)
    Querência Amada – Teixeirinha (tira 144)
    Baile da Mariquinha – Os Serranos (tira 150 e 357)
    A Revolução dos Bichos – George Orwell (tira 185)
    Nheco Vari, Nheco Fum – Gaúcho da Fronteira (tira 186)
    Coração de Luto – Teixeirinha (tira 232)
    Morocha – Mauro Ferreira/Roberto M. Ferreira (tira 274)
    Negro da Gaita – G. Carvalho/A. Pimentel (tira 275)
    Gaita da Bossoroca – Iedo Silva (tira 276)
    Balanceando a Rouquidão – Velho Milongueiro (tira 276)
    Canto dos Livres – Cenair Maicá (tira 283)
    Porfia – do livro Chunin, de Quirino Pereira (tiras 287 e 304)
    Balaio - Barbosa Lessa/Paixão Côrtes (tira 364)
    Martin Fierro – José Hernández (tira 369)
    Morena Rosa – Telmo de Lima Freitas (tira 378)
    Tertúlia – Leonardo (tira 383)
    Rosa que Roda – José Hilário Retamozo (tira 459)
    Vire o Mate – Manolo (tira 461)
    A la pucha tchê, não se assustemo (não descobri o autor ainda) – (tira 463)
    Romance do Pala Velho – Noel Guarany (tiras 468 a 473 – essa é a única música até agora que foi desenhada inteira, em 6 tiras)
    Palanque Humano – Mano Lima (tira 480)
    Veterano – Antonio Augusto e Ewerton Ferreira (tira 483)
    Tando Mais ou Menos – Doné Teixeira (tira 487)
    Doce Amargo do Amor – Leonardo (tira 489)

  • Sábado, 06 de Setembro de 2008
    O CACHORRO MORDE EM UM PÉ E O CURATIVO É FEITO NO OUTRO

    O cachorro morde num pé e o curativo é feito no outro... O engraçado é que essas coisas a gente só vê depois de publicado! Isso é coisa do Saci Pererê, a gente só vê a arte dele depois que não tem volta... E no segundo quadrinho some uma alpargata!! Al la pucha, o índio velho tava meio distraído quando desenhou essa tira... Mas aquele bico de luz no último quadrinho foi colocado estrategicamente para ser usado em uma tira mais adiante... Uma das raríssimas vezes em que aparece eletricidade na fazenda...

  • Terça-feira, 19 de Agosto de 2008
    QUAL O NOME VERDADEIRO DO CHIRU VELHO?

    O personagem “Chiru Velho” foi se definindo aos poucos, e começou a ser chamado por acaso de dessa maneira a partir da tira 53, onde ele mesmo se “batiza” Chiru Velho. Antes disso, foi chamado por alguns nomes e sobrenomes, até se achar o nome ideal. Na montagem para o livro, esses nomes foram substituídos por “Chiru Velho”. Para descobrir o nome verdadeiro do Chiru Velho, portanto, somente fazendo uma pesquisa na coleção do Jornal A Notícia...

  • Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008
    A ORIGEM DO TÍTULO

    Quando a tira foi criada, para a 2ª Mostra de Artes do Atelier Los Libres, era necessário definir rapidamente um título. Como o tema era rural, veio a recordação de uma conversa com o chargista Sampaulo, da Zero Hora, na Feira do Livro de 1995, onde ele comentou que tinha vontade de fazer um livro só com cartuns do campo, e o título seria “É dura a vida no campo, dizia uma vaca rabona com uma mutuca nas ancas” (vaca rabona é uma vaca que perdeu o rabo, então não pode espantar as moscas). O livro com o título quilométrico não saiu, o Sampaulo faleceu antes, então esse título é uma homenagem permanente ao nosso maior cartunista. Sampaulo tinha grandes ligações com São Luiz Gonzaga, terra natal de sua mãe, onde ele visitava seguidamente seu tio, o historiador José Gomes.

  • Terça-feira, 12 de Agosto de 2008
    QUANTAS PULGAS TEM NA TIRA?

    A tira de número 74 tem exatamente 1000 pulgas desenhadas, sendo 100 no segundo quadrinho e 900 no terceiro. Alguém se habilita a conferir?

  • Sexta-feira, 08 de Agosto de 2008
    CHUMIM

    O personagem Chumim é baseado em uma pessoa da vida real, que viveu em São Luiz Gonzaga, nos anos 1800. Chico de Mello, de apelido “Pai Chunin” (com dois enes), era um negro escravo do major João de Mello, e era um trovador imbatível. Entre 1850 e 1860 venceu em trova o famoso “Bento Cantor”, de Passo Fundo, trova essa imortalizada em um livro manuscrito por Quirino Pereira, de Santo Ângelo, em 1932. Quirino dedicou o livro aos irmãos Nico, Zica, Floriano, Osterno e Jango Paz. Zica Paz confiou o livro a seu genro, Euclides Foletto, em 1969. A trova de Pai Chunin e Bento Cantor compõe-se de versos em quatro linhas, como era a trova oficial na época. Em 1935 foi oficializado que a trova campeira seria em seis linhas.

    Nas tiras 287 e 304 foram utilizados versos originais, ditos pelo Pai Chunin na trova com Bento Cantor, adaptando mais duas linhas para deixar o verso na maneira atual de “trova campeira”, ou seja, em seis linhas. Os demais versos são do próprio Sávio, que levou um suador para rimar tudo isso.

  • Quarta-feira, 06 de Agosto de 2008
    A PORFIA

    A porfia (trova) entre o Chiru Velho e o imbatível Chumim durou 20 tiras, da 286 à 305, e pôs à prova o talento dos nossos valentes pajadores. Na tira de número 288 temos uma panorâmica do bolicho onde se deu o embate.
    Curiosidades: o desenho acima foi inspirado em uma cena do filme “Martin Fierro”, de Leopoldo Torre Nilsson (Argentina, 1968), adaptação da obra máxima da literatura argentina, de José Hernández. O Chiru Velho está no lugar do Martin Fierro e o Chumim no do grande "El Moreno", o desafeto do Fierro. Os personagens estão imitando as posições do filme, e são gaúchos que já apareceram em outras tiras.
    Da esquerda para a direita: o bolicheiro da tira 127, o barbeiro que tosquiou a barba do Chiru Velho na tira 133, o comissário que investigou o sumiço do porco (tiras 50 e 57), o Seu Adão e o Seu José (tira 248), o Virso, o médico do Chiru Velho e, de costas, o humilde cartunista Sávio Moura, em uma aparição à la Alfred Hitchcock.